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Saudades da infância

Saudades da infância
Imagem Pixabay

Era uma simples e ampla casa de periferia. Na frente, um belo jardim com um pinheiro que sempre ganhava luzes coloridas no natal. Nos fundos um quintal enorme se estendia desde a porta da cozinha até a divisa do terreno. Nele muitas árvores frutíferas, uma cisterna antiga com sarilho e uma bela horta eram o cenário da nossa infância feliz em um em uma cidade que não parecia, na época, tão grande. Num tempo que parecia passar lentamente.

Havia naquele lugar, uma ar constante de tranquilidade, um clima interiorano, com poucas moradias e muito verde; muitas arvores e gramados onde as crianças passavam o dia a se divertir escorregando pelos barrancos em caixas de papelão, brincando de piqui esconde, tirolesa, queimada...
Não existiam ainda os brinquedos tecnológicos de hoje em dia. Cada garrafa, caixa ou meia velha, se transformava em  um super artefato de pura diversão.
As mães, entre um afazer e outro, monitoravam as brincadeiras cuidando para que ninguém se machucasse, ou botasse fogo na vizinhança. usando os velhos sarilhos, tiravam água das cisternas para os afazeres domésticos, para cozinhar e regar a horta no quintal.

Á noite debruçados sobre as cercas ou sentados nas varandas, mãe e filhos aguardavam ansiosos o retorno do pai ao lar, depois de mais um árduo dia de trabalho.

Embora não imagine minha vida hoje, longe da atual tecnologia, sinto saudades das coisas simples do tempo em que ela não era assim, tão presente em nosso dia a dia, tais como: As brincadeiras de rua, as horas em frente ao velho gravador esperando o momento de gravar em uma fita k7 as minhas canções favoritas, e as tardes passadas em meio aos livros, fazendo pesquisas escolares na biblioteca, que foram hoje substituídas por poucos minutos de busca no Google.


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